quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Novos clássicos saem em DVD

Doce Pássaro da Juventude *** Sweet Bird  of Youth
Foto: Divulgação/Paragon
Áudio: Ingl, Port, Esp. Leg: Port, Ingl, Esp. Widescreeen 2.35. 120 min.1962. Cor Drama. Paragon. EUA. 12 anos.
Diretor: Richard Brooks. Elenco: Geraldine Page, Paul Newman, Shirley Knight, Ed Begley, Rip Torn, Mildred Dunnock, Madeleine Sherwood e Corey Allen.
Sinopse: O aventureiro Chance se torna gigolô de uma atriz famosa chamada Alexandra Del Lago, que fugiu quando achou que seu novo filme havia sido um fracasso. Ele também se envolve com a filha de um chefe político sulista.
Comentários: Chegou a receber indicação para a categoria de melhor atriz (Geraldine Page, que ganhou o Globo de Ouro), também para melhor atriz coadjuvante (Shirley Knight) e ganhou Oscar de melhor ator coadjuvante (com o já vilão veterano Ed Begley).
Essa é uma adaptação de um famoso texto de Tennessee Williams (o mais importante dramaturgo de sua geração junto com Arthur Miller, com textos como Um Bonde Chamado Desejo, Baby Doll e Gata em Teto de Zinco Quente).
O autor infelizmente envelheceu mal, as peças são longas demais e por vezes com resoluções estranhas dramaticamente. Este aqui já marcou o começo de sua decadência, embora ainda tenha sido um sucesso. Como sempre, para transpor para o cinema, era preciso fazer cortes e modificações por causa da censura.
O bom diretor Brooks (1912-92), que tinha acertado com Gata, também fez o roteiro tendo que modificar o fim, colocando um falso final feliz. No original, Chance passa uma doença venérea para a moça e por isso leva uma surra e é castrado. Mesmo assim, na época, há 18 anos, o filme era proibido (hoje já virou programa de TV).
Na Broadway, o elenco foi quase o mesmo: Geraldine, Paul, Rip, Madeleine (Rip ganhou o Tony e Geraldine foi indicada). Apesar dos pesares, o filme ainda conserva parte de seu poder, na força das interpretações (Geraldine sempre representava caindo no exagero, aqui, ao menos, o personagem justifica isso e Newman faz o cínico de bom coração de costume). A música tema é a famosa Ebb Tide.
O longa, originalmente da MGM/Turner Warner, foi refeito para a TV com Elizabeth Taylor, Mark Harmon, e novamente Rip Torn agora no papel do chefão político (89).
Mulher Perversa ** Martin Roumagnac/The Room Upstairs
Foto: Divulgação/Imovision
Áudio: Francês. Leg: Port, Ingl. Standard. 115 min. 1946. PB. Drama. Imovision. França.12 anos.
Diretor: Georges Lacombe. Elenco: Jean Gabin, Marlene Dietrich, Daniel Gelin, Jean D'Y, Marcel Pérès, Jean Darcante e Camille Guerini.
Sinopse: No interior da França, um empreiteiro se apaixona por uma australiana dona de uma loja de pássaros. Mas ela planeja se casar com um rico e liberal cônsul, por isso o romance deles toma contornos trágicos.
Comentários: O grande amor da vida da alemã Marlene Dietrich (1901-1992) foi o francês Jean Gabin (1904-76) com quem ela manteve uma ligação desde o começo até o fim da Guerra (onde ele lutou e ela esteve no front divertindo as tropas). Eles iriam trabalhar juntos no filme de Marcel Carné, Les Portes de la Nuit (46), mas não deu certo e trabalharam juntos  uma única vez neste pouco conhecido drama noir, bem realizado pelo  cineasta também quase desconhecido Lacombe (1902-90).
Pena que a história seja trágica e o roteiro não muito inspirado (logo depois do fracasso do filme os dois se separaram, e Gabin constituiu uma família. Dizem que Marlene nunca o esqueceu e foi por ele que escolheu passar seus últimos dias confinada num apartamento em Paris. Reza a lenda que Gabin teria tentado destruir todas as cópias do filme).
Baseado em um romance de Pierre-René Wolf, traz Marlene extremamente artificial, vestida para matar como dizem os americanos, ou seja, excessivamente para o personagem, a situação e a época.
É difícil acreditar no romance de um casal tão diferente, com Gabin fazendo o operário colérico de sempre e ela parecendo mais uma imitadora de si mesma, sem demonstrarem química alguma. Os 15 minutos finais sem Marlene caem, então, num mexicanismo difícil de perdoar.
Oliver Twist *****

Foto: Divulgação/Amazonas
Áudio: Inglês. Leg: Port. Standard 1.33:1. 116 min.
PB.1948. Inglaterra. Amazonas. Livre.
Diretor: David Lean. Elenco: Alec Guinness, Robert Newton, John Howard Davies (como Oliver), Kay Walsh, Francis L. Sullivan, Anthony Newley, Henry Stephenson e Diana Dors.
Sinopse: Oliver Twist foge do orfanato em que  vive e ruma para Londres, onde é acolhido por Fagin, um bandido que coordena os roubos praticados por sua gangue de menores abandonados.
Comentários: A melhor das inúmeras adaptações do clássico romance de Charles Dickens, que inclusive virou musical em 1968 (como Oliver) e foi mais recentemente feita por Polanski (2005).
A fotografia expressionista é um dos pontos altos. O curioso é que esse foi apenas o sexto filme de David Lean (que começou como montador e parceiro de Noel Coward), que futuramente faria obras-primas como Doutor Jivago, A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia.
Seu ator favorito na época era Alec Guinness, que ficou famoso com sua criação do vilão Fagin (alguns o acusaram até de antissemitismo, porque seria uma caricatura de um judeu, de tal forma que em alguns lugares o filme chegou a ser banido. Em Israel, por esse motivo e também no Egito porque daria uma visão simpática dos judeus).
Mas é uma esplêndida reunião de atores, equipe técnica e diretores, numa versão definitiva do clássico texto de Dickens. Começa com uma cena impressionante, sem diálogos, com a mãe de Oliver Twist correndo pela chuva e dando a luz a ele (uma sequência inventada pela atriz Kay Walsh, que faz Nancy e era mulher do diretor na época). Foi ela também quem recomendou Anthony Newley (1931-99) para o papel do amigo Artful Dodger e, mais tarde, ele faria sucesso como cantor, compositor, diretor de cinema e marido de Joan Collins.
Outro detalhe curioso: depois do filme, quase todos os integrantes da parte técnica viraram diretores de cinema. O produtor Ronald Neame (Destino de Poseidon), o montador recém falecido e que aqui foi assistente Clive Donner (O que é que há gatinha?), o fotógrafo Guy Green (Luz na Praça) e o assistente de direção George Pollock.

Nenhum comentário:

Postar um comentário